rodrigokaus
Apr 27 2006, 03:19 PM
por José Marcondes (Muvuca)
A moeda americana tem se enfraquecido nos últimos meses perante quase todas as outras do mundo, inclusive do Real aqui no Brasil. Isso não significa que o nosso Real seja tão forte assim, tanto é que ele nem consta no mercado Forex (Foreign Exange Market), já que nossos fundamentos são ainda frágeis e voláteis, sendo que um simples ‘swap cambial reverso’ feito pelo Bacen é capaz de adestrar nossa divisa.
Aparentemente à sensação de controle, isso não agrada o mercado de investimentos, principalmente pela suposição de que um país que se mostra corrupto como este, sujeitar a volatilidade da sua moeda a um grupo de burocratas seria muito arriscado. Imagina a situação “Olha, temos uma Land Hover aqui para vocês do conselho econômico aumentar a taxa de juros em 0.5%”. Parece brincadeira, mas no mercado especulativo representa bilhões.
Agora voltando ao assunto em tela, o dólar americano, podemos analisar o movimento à partir de uma perspectiva cíclica (análise gráfica) ou fundamentalista, onde tira-se algumas conclusões:
A queda dos títulos de renda fixa atrelada ao constante aumento dos juros e subida da inflação nos EUA - temos a maior taxa de juros em cinco anos, de 4.75%, com uma previsão já anunciada de 5% para 10 de maio na reunião do FOMC. Um patamar inclusive já precificado pelo mercado.
Alguns analistas acreditam na reação da economia extemporaneamente aos eventos mencionados nos últimos dias. Penso que o abalo da moeda americana não está subvencionada a nada mais que o prenúncio de uma suposta guerra ao Irã. O preço do petróleo chega a um patamar bastante elevado, e aliado a essa conjuntura, o pessimismo do povo americano, medido no ‘sentimento Michigan’ também soma-se aos fatos onde nem índices otimistas têm conseguido fazer o dólar reagir.
Estamos, portanto, diante de um fato histórico na teoria dos mercados. E este milk shake todo está levando investidores a abandonar o lado bull (alta), que era uma tendência dos traders de todo o mundo, tanto é que na maioria das corretoras só ouvimos lamento. Existe uma nostalgia do “boom” americano que está sendo sublimada aos poucos.
Hoje podemos dizer que a soberania do mercado tem desenhado um quadro um pouco diferente. Temos a suíça, um país onde não se planta um pé de tomate, país pequeno e rochoso, onde sua economia floresce como as flores da primavera. Mas um país promissor, com fundamentos sólidos e moeda relativamente estável. Inclusive refugo de investidores quando ‘afugentados’ pela fragilidade de outros países.
Somente para ilustrar, o Brasil, no seu atraso crepitante, não faz frente aos grandes investidores, mesmo com os juros onde está. Para se ter uma idéia, não se conhecia por aqui o mercado de divisas internacionais (Forex), tanto que nem os gerentes de banco sabem como se faz uma “wire transfer”. Uma tolice tamanha. Mas o crescimento e conseqüente regulamentação do forex parece estar caminhando, embora encontre resistência em mentes ‘caseiras’, como o ex-ministro pallocci e economistas como Luiz Nassif, que criticam sem saber, mas aprovavam o swap cambial, o que coloca o Brasil na lanterninha dos investimentos mundiais.
Para se ter uma idéia, o Mundo forex movimenta 1,5 trilhões de dólares diários, é o mercado mais líquido do mundo. Essas transações não são apenas de caráter especulativo, ela é o retrato de uma economia global onde há compras, trocas, pagamentos, recebimentos, transferências investimentos de um país para outro. (não confundir com lavagem de dinheiro e evasão fiscal, assunto para um próximo artigo).
Voltando aos Estados Unidos, Alan Grespan segurou as rédeas da economia por quase duas décadas, e a sua substituição por Bernank não foi muito significativa, embora haja sinais de que o novo presidente da Reserva Federal Americana, que equivale no Brasil ao Bacen, não vai continuar o ciclo de aumento das taxas de juros.
Juntando as peças deste quebra-cabeças, aliado aos eventos que vêm ocorrendo nos EUA, chegamos a uma conclusão de que o EURUSD vai bater novamente na casa dos 1.30, sendo que opera neste momento a 1.25, uma previsão baseada em argumentos e fatos reais, senão vejamos: Balança comercial dos EUA batendo recordes negativos, pré-anunciada guerra com o Irã, aumento do preço do petróleo a patamares recordes, isso sem falar no sentimento Michigan, PPI, CPI (Inflação) que ronda aquela economia. Um quadro bastante claro do enfraquecimento econômico. E, mesmo tendo mercados auto-regulamentados (espera-se uma reação americana) é difícil crer em reversão com um governo em descrédito como este de Bush.
De outro lado temos a Zona Euro com juros de 2.50 e bons fundamentos como queda do desemprego e balança comercial estável. Por parte dos japoneses, a inflação zero há mais de dez anos, e um mercado sólido que se sustenta nas exportações. Por lá se diz que não precisam dos dólares americanos. Ladeados da suíça e Reino Unido, que acompanham pari-paso o crescimento europeu, chegando a ser considerado moedas correlatas. Enquanto isso, a América tenta salvar sua economia provocando guerras e roubando petróleo. Não é uma opção muito inteligente, pois enquanto eles investem na guerra, os mecenas internacionais vendem seus dólares a preço de banana, beliscando o lucro que eles ganham ceifando vidas.
Já estamos indo para o quarto ano consecutivo de queda do dólar, o que consuma a idéia de que a coisa não anda bem por lá. Mesmo havendo retrações de mercado, a liquidez das operações no long do EURUSD é uma convicção que se concretiza em médio prazo.
Podemos ver claramente no MT4 (ou outra plataforma que valha) que a trajetória do EURUSD vem sendo marcada a pique, e uma reviravolta para a reversão de tendência só é dada quando temos um prolongamento de pelo menos 6 meses na mesma direção, o que não acontece há pelo menos 4 anos.
No dia 10 de maio de 2005 (ano passado) tínhamos o EURUSD a 1.2830, numa tendência de alta. Exatos 12 meses depois, beirando 1.2600 numa tendência de baixa pro USD. Este ciclo, por si só nos faz acreditar que ele bate 1.30 facilmente nas próximas semanas. E aqueles operadores que se fecharam na canaleta de 1.19 e 1.20 devem estar atordoados (se não levaram margin call ou foram ‘stopados’) com os pips na casa dos 500 negativos.
Há 15 meses batíamos na resistência de 1.35, ou seja, poucos dias nos separam de um novo teste de resistência. Saindo de um ciclo de queda entre 2002 e 2004, o EURUSD fez um fundo duplo na casa dos 1.16 com uma formação OMO, mas não rompeu o suporte, voltando para sua busca incessante dos 1.30.
Este cenário, como todos descritos por qualquer trader do mundo, são passível de controvérsias. Não queremos demonstrar aqui um movimento exato, mas especular, como é nossa tarefa, em cima dos fatos e argumentos postos. A análise final fica por conta de cada um.
José Marcondes (Muvuca) é jornalista e trader cambial, comentarista da corretora inglesa Marketiva.
felipeds
Apr 27 2006, 06:03 PM
Muito bom o comentário.
Felipe Schmitt
Consultoria em Forex
MSN: felipedsjesus@hotmail.com